Atrás De Você
18 05 2008“De repente tudo passa a fazer sentido. O ar parece menos carregado, a brisa soa amigável e o sol ilumina mais especificamente. O orvalho escorre suavemente e parece que a minha pele está mais macia.
A cama agora mostra como o calor humano faz a diferença. As piadas são mais engraçadas e a música toca mais alegre. O cheiro do banho remete àquele espaço fechado do meu coração e a cada dia que passa tudo parece ser melhor do que antes.
Não sei quanto aos outros, mas minha vida finalmente tem propósito, tem para onde ecoar. Antes o que parecia vazio, hoje mora aquele friozinho inconstante e pouco a pouco eu consigo perceber que tudo ficará bem. Tudo ficará bem…
O céu se fecha, mas eu não tenho mais aquele medo de antes, agora eu sei que sou forte o bastante para enfrentar essa tempestade emocional.
A enxurrada começa e eu me deixo levar de olhos fechados. Não acordo, continuo a sonhar com as palavras que já fazem parte de mim. Aquilo que era desconhecido já não tem mais importância.
A porta permanece aberta, o vento recicla e meus lábios secam. As flores balançam e as folhas tocam o chão. Não vejo mais o sol, ele está se escondendo por trás daquele rochedo sem fim.
Aos poucos tudo ganha uma nova cor, um novo sabor. Tudo parece mais triste agora, na companhia das estrelas. Elas parecem refletir tudo aquilo que escondemos no fundo do nosso coração.
Ouço passos, mas ele está dormindo, quem poderia ser? Calma, não sou aquele que tem todas as respostas. O caminhar cessa, não escuto a respiração, somente sinto meu coração pulsar nas minhas têmporas.
Tudo parece mais confortável agora. A brisa retorna, um pouco mais fria do que antes, ela toca minha face, revelando que é primavera. A luz da lua se mistura nos meus pensamentos e eu não consigo encontrar a solução.
E os passos recomeçam. Oh, não, você voltou? Achei que estivesse fora para sempre. Acho que sua presença se faz necessária de vez em quando. Por favor, não me deixe, fique e esclareça mais um pouco.
Nunca pareceu tarde antes, mas de repente agora é tudo em vão. Nada mais importa. Você saiu e fechou aquela porta.”
» Pablo Biglia, escrito em 03/12/2007.
*Nota de rodapé: o texto acima foi escrito em algum momento da madrugada. Ele não foi destinado. Ele foi formado apenas de fragmentos daquilo que pairava em mim. Cinco meses e meio se passaram desde sua criação e, ainda assim, ele consegue remeter sentido pra mim.

Que lindo isso! Adorei o último parágrafo!